se um olhar
bastasse
avistarias em meu peito
o sopro possante do mistral
caiando mil exuberâncias
saberias do fogo-fátuo
que rompe devagar o húmus
do meu ser expectante
decifrarias em meus olhos
a inteireza dos segredos
que escoam como espuma
no areal das memórias
se um olhar bastasse
serias pano rendado
a roçar meu corpo
por fim serenado
teus fios de seda
correndo em mim
como vaga atrevida
a trepar-me a alma
e apresando marés
que afagam a praia
a sussurrar a meus pés
alexandra, agosto, 2009