segunda-feira, 2 de janeiro de 2012




serás tu o sopro   
com que me inebrio
em horas desmaiadas
que se afundam no tempo

serás tu a volúpia  
intensa que me acorda
do devaneio dormente
que me embala a vida

serás tu a promessa
que morde meus lábios 
e o lampejo de vida
tão sempre atardado

serás tu enfim
quem hoje adivinho
como  batel aprazado
para resgatar meu ser


alexandradez. 2011



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


são cálidos de canela e anis
os odores das noites
que guardo na alma
                 mas são já remotas
                 as vozes que alisam
                 meus dias inquietos
                 os dedos que afagam
                 meu corpo lasso
                 marcado de ausências
                 que pungem os tesouros 
                 selados nesta mão
                 obstinadamente cerrada
hoje uma lua desnuda
fulge na lágrima
que amansa a mão
prostrada no meu peito 


alexandradez. 2011




sábado, 20 de agosto de 2011



no fundo de mim
agrilhoei meu ser interrompido
e resiste de ímpetos sufocados
a alma que abandonei
no cais desse porto ajeitado
que alberga meus sonhos

arrasto-me na mágoa retraída
sou uma réstia de mim
sufocada em gozos acres
que velam prantos do que fui
voo na borboleta que cruza
meu lamaçal de lamentos
e na quimera cogitada
diluí minha razão de viver

busco no precipício de mim
o rumor do meu ser proscrito
e qual bramido de tantas marés
sou sargaço cuspido na areia
definho sem ninguém ver
choro por me dessaber



alexandra, abril 2011




quinta-feira, 11 de agosto de 2011




libertaste-me o espanto
com teu gáudio
timbrado de infinidade
apuraste as palavras
com agrados de eras remotas
e angras que não percorri
matizaste de anil
 as ermidas brancas
pausadas nesse tempo
de devaneios que fruo na alma

de repente
venceste os silêncios
e caiaste o teu nome
em meu tecto cerrado


alexandra, agosto, 2011



quinta-feira, 4 de agosto de 2011



turvam-se-me os olhos se te penso
e te evoco no infinito de mim
no zénite fugidio da vida

doem-me os passos se te busco
nas serranias intangíveis
que habitam o meu ser

cala-se o verbo se te relembro
timbre eterno deste meu colo
atormentado de te querer

morre-me a alma por te saber
meu trilho essencial
meu eterno pasto
tão aquém de mim




alexandra, fevereiro, 2011





sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

natal




a Natureza recolhe-se
no olhAr agredido
das criaTuras omissas
desatadas dA vida
e no ardor das Lareiras
cintilam  brasas de esquecimento


alexandra, dez. 2010



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

sempre tu



és tu a correr fugidio
na lágrima teimosa
e a seiva fecunda
deste grito contido
que me engelha a alma

és tu a nuvem espessa
que estala na vidraça
reclusa no meu peito
e o troar silenciado
que ecoa em mim

é tua a voz
    deste pisado silêncio    
deste grito apertado
remendado no pranto
que trago nos olhos

e é tua a fragrância
que seduz o sonho
colorido de açucenas
no bouquet de memórias
que agasalho em mim

és sempre tu


alexandra, nov. 2010



sábado, 4 de dezembro de 2010




e quando veio o rio
em jorros súbitos
de castigos repentinos
quedámos atados
ao limbo crespo da margem
nossas almas feridas
doridas de assombro
ante um amor mutilado
que se deslaçou
sem o brado forçoso
que não se soltou

e nessa hora aziaga
que não decifrámos
ceifámos o destino
e imperfeitos vagamos
no rio correntio
qual escolho que a vida apartou
ramo vencido que o rio afastou
mas não matou



alexandra, dez.2010





domingo, 10 de outubro de 2010

brevidade






rasgaste o instante
com a tenuidade do vento
e acendeste-me a vida
com alvoradas de espanto
e ocasos de luz
foste mariposa breve
na papoila púrpura
que trazia na mão



alexandra , setembro, 2010







segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

nenúfar




com o silêncio exemplar
dos momentos ímpares
coraste de resplendor
a paisagem sombria
de meu ser imperfeito

vieste enleio incorrido
em meu colo argênteo
qual pérola legítima
bramindo o remorso
da tua inexistência

no carmim dos lábios
mudos de enlevo
velei dedicada
meu fruto excelso
de preces e prantos

e tu meu nenúfar rosado
ao relento à beira-lago
foste a flor imaginada
e a dor que conservei

foste 
(és)




  alexandra, dezembro 2009



sábado, 26 de dezembro de 2009

.




trazias o mundo nos teus olhos
de menina cristalina de sonhos
e tuas mãos eram regaços
serenos de venturas raras


impiedosamente te afundou
a tosca sevícia humana
sem dó te invalidou
e o mundo finou nos teus olhos



alexandra, outubro 2009



sábado, 12 de setembro de 2009

tempo prometido



e o tempo prometido não chega
detém-se frígido e dolente
em valados de lembranças
desfalecido de ímpetos
tempo hirto e insofrido
que encobre desleal
meus sonhos incumpridos

silente espia
as alvoradas fulgentes
e acena com lampejos
de quando a vida cedeu
e os alicerces aluíram
em compasso ferido
nesse dia restante
no instante final

partiste
e deixaste meus olhos
fixos no arco-celeste
meus lábios interditos
em busca da palavra
meu ser demolido
suspenso do vazio
que ressoa no algar
que me tem refém



alexandra
agosto, 2009





quinta-feira, 20 de agosto de 2009

se um olhar bastasse



se um olhar bastasse
avistarias em meu peito
o sopro possante do mistral
caiando mil exuberâncias
saberias do fogo-fátuo
que rompe devagar o húmus
do meu ser expectante
decifrarias em meus olhos
a inteireza dos segredos
que escoam como espuma
no areal das memórias

se um olhar bastasse
serias pano rendado
a roçar meu corpo
por fim serenado
teus fios de seda
correndo em mim
como vaga atrevida
a trepar-me a alma
e apresando marés
que afagam a praia
a sussurrar a meus pés 


alexandra,  agosto, 2009



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

nossos



é nosso o instante
em que nos rendemos
a mil carícias abrasadas
suadas de melífluo querer
a estremecer na língua
alvoroçada de paixão

é nossa a hora
em que tua alma se tatua
na minha pele impaciente de ti
e incendeio teu ser
no meu leito de camélias
e perfumes de marfim

é nosso o tempo
em que hasteamos a voz
e somos universo ímpar
quando banhados de ambrósia
nossos corpos convulsos
se reconciliam em nós


alexandra,  agosto, 2009








sexta-feira, 31 de julho de 2009

epílogo




quimeras alagaram meu peito
cioso de refúgios mansos
na vastidão oceânica da vontade
feita de marés ociosas
que se demoram na alma
atada a estultos desencantos

trajada de silêncios
depus descerrada
minha caixa de Pandora
e meus passos soaram
a vórtices serenados
por auras de assombro

só tarde demais
entrevi minha ânfora
vagando nas asas cavas
dessa doce inocência
enlodada de um ímpeto
franzino que esvaeceu


desatei a tua mão
perdi -me de ti


alexandra, junho, 2009






terça-feira, 21 de julho de 2009

negação



não sei a vida
aniquilada pela flama
do dissídio carrasco
agonizante no falaz altruísmo
infectado pela indiferença
e voracidade imperantes

não te sei a ti
criatura estropiada
pela cegueira convicta
debuxo de homem
perpetuado no borrão pútrido
da tua vanidade vã



alexandra, julho, 2009



...




ausente de mim
estremeço em teus abraços
num bailado rubro
que ensaio na areia
orvalhada de prenúncios
soltos a teus pés

erma de ti
ensandeço nos teus lábios
que decifro ainda
nostálgica do tempo pretérito
rasgado de memórias
resgatadas em mim

remota de nós
sorvo a aurora espontada
em serranias do querer
e no zénite de mim
sou rio espontâneo
a alvorecer na foz


alexandra, julho, 2009




terça-feira, 14 de julho de 2009

clausura



adiámos a ventura
clandestinos da vida
como trepadeiras ilhadas
que estrangulam em nós
tristezas e tormentos

em dias inconsoláveis
serenámos ausências
e acolhemos solidão
cravada em chãos
de paixão contida

afastámos o enleio
sufocado na lágrima
que molha o coxim
das almas amarguradas
por vontade sua

recusámos o ósculo terno
e húmido de frenesi
nos lábios acanhados
e estreámos gaiolas
de fantasias indizíveis

tardámos o sentir
que derramava de nós
o puro amor sofreámos
inscientes da vida adiada
que não algemaremos mais


alexandra, julho, 2009



tu




raiaste na noite
princesa de sonhos
com toque ebúrneo
enfeitiçado de carmim
afluíste essencial e raro
e descobriste-me luzente
de um querer desnudo
e fero na luz desse Maio
risonho de boninas

no relento da aurora
ornaste meu jardim
falho de conchegos
com hálitos íntimos
de promessas rubras
e apelos desmedidos


araste-me a vida
com o sémen
da romã carnuda
que aflora agora
os lábios exaltados
por anseios admiráveis





alexandra, maio, 2009





domingo, 5 de julho de 2009

a palavra







no feno dócil da palavra
adivinho a matéria do sonho
abraço o trovão canoro
pleno de silêncios castos
e de ecos por desvendar

e visto a palavra límpida
com branduras e tormentos
deliro em telas de paraíso
moldando fulgores e prantos
que saem do meu durar

com a palavra pura
alinhavo mil devaneios
reinvento o tempo
a cores de estio corado
e a primaveras por achar

e na palavra alcanço o dulçor
inquieto do riacho manso
e fruo o oceano prásino
de esteiros incontáveis
à espera para me enlaçar

no pélago da palavra
desvendo o meu refúgio
diáfano e verdadeiro
da palavra brota a linfa que sacia
o sangue que me traz viva



alexandra,  janeiro 2008