sexta-feira, 3 de agosto de 2007

visão



vi
no espelho da alma
lágrimas tornadas rios
oásis tornados desertos
oceanos de pedra
vida retrato de morte



alexandra, 2001






subitamente



de súbito
oceanos desabaram sobre mim
e qual arca de noé
levantada do chão por uivos ciclónicos
navego entre o céu e a terra
prenhe de medos e esperanças
parida que foi a dor da desilusão



alexandra, 2002






quinta-feira, 2 de agosto de 2007

grito silenciado



mergulhada que é a alma
nas catacumbas da vida
cada instante liberta
o grito que em vão se detém

o frio marmóreo
de cada gesto olvidado
emerge da flor púrpura
que pulsa dentro do peito
e rosários de cristal
lançam-se incontroláveis
pelos trilhos sulcados
pela dor letal
que desfigura o rosto
e envenena o ser


alexandra, 2004 



vida



na desleal arena da vida
a existência acontece
matreira
répteis desmedidos
espreitam uma irreflexão
pérfidas serpentes
entrelaçam-me prazenteiras
e o riso das hienas
pressagia o odor putrefacto
do meu fim 



alexandra, 2003










abandonadamente só
estendo a mão
mas até o sono me deixou só

alexandra, 2002




quarta-feira, 1 de agosto de 2007

lágrimas




as lágrimas
que hoje derramo pelo chão
são as raízes que
amanhã
me ajudarão
a manter de pé


alexandra, 2002





im memoriam



o ser que foste
apagou-se silenciosamente
o pavio da vida
repentinamente se extinguiu

de ti nem nome nem datas
resplandece o olvido
o desprendimento pungente
aberrante
nesse cantinho esquecido
que partilhas agora
com os que em sossego
alcançaram também o infinito

para eles flores
da cor dos abraços
em tons de saudade
para ti o vazio
nesse plaino de dor
um número tão somente
nada mais

numa morna tarde de inverno
procurei-te
e com uma singela rosa branca
respeitosa e sentida
anonimamente nomeei-te



alexandra, 2004






solidão

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alexandra, 2001







segunda-feira, 30 de julho de 2007

vazio

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alexandra, 2003



em ti



em ti me perco
em ti me encontro

nos teus braços me aninho
e é todo um oceano
que me inunda
nesse abraço infinito

nas tuas mãos
danças de afectos mil
perfumadas de afagos
extasiam-me a existência

os teus lábios
trazem o sabor de frutos maduros
e saborear-te
é sentir o verão a pulsar dentro do peito

nos teus olhos
transparentes de mel
leio e releio o amor que me ofertas
em cada gesto
em cada amplexo consentido

em ti me perco
em ti me encontro

e no turbilhão dos sentidos
bordados a pedrarias de que os sonhos são feitos
reaprendo o amor
mesmo no silêncio das palavras não ditas



alexandra, 2005




domingo, 29 de julho de 2007

grito



um grito que ninguém ouve
explode no meu coração
- grito de lágrimas e dor
grito de mágoas e sangue


alexandra, 2002