segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
esquecimento
sou o cinzeiro esquecido
ao canto da mesa
cheio de cinzas por limpar
ao canto da mesa
cheio de cinzas por limpar
alexandra, 30/01/2002
domingo, 20 de julho de 2008
eternamente
esse
relâmpago no teu olhar
a ebriedade na pele impetuosa
e nos lábios de veludo desmaiado
são murmúrios incessantes
de outrora
de agora
e do odor melífluo do meu ser
emergem memórias de uma vida
no líquido oceano do meu desejo
tu navegas-me ainda
vives em mim eternamente
alexandra, 2006
domingo, 16 de março de 2008
ad eternum
aquele trigal dourado de outrora
ciciante de Zéfiros pululantes
está letárgico e taciturno
franzino de dor acutilante
que só a morte friamente inflige
a semente desfalece impotente
diante de superiores desígnios
intocáveis
irrevogáveis
o trigal agoniza lentamente
e desse horizonte de terra-mel
perdura na memória
indelével
um universo de indizível carinho
um colossal pilar de estabilidade
um amor indescritível
imanente
imutável
esses sussuros melífluos das espigas
definham no infinito das planícies
mas sobrevivem neste coração torturado
para sempre
ciciante de Zéfiros pululantes
está letárgico e taciturno
franzino de dor acutilante
que só a morte friamente inflige
a semente desfalece impotente
diante de superiores desígnios
intocáveis
irrevogáveis
o trigal agoniza lentamente
e desse horizonte de terra-mel
perdura na memória
indelével
um universo de indizível carinho
um colossal pilar de estabilidade
um amor indescritível
imanente
imutável
esses sussuros melífluos das espigas
definham no infinito das planícies
mas sobrevivem neste coração torturado
para sempre
ad eternum
alexandra, 27-04-2008
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
desilusão
beijos
fugazes
quedas da altura dos abraços
mãos que me soltam
em covas por tapar
conselhos mudos
e só queria viver
alexandra, 2003
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
vida
vida
tela branca onde pintamos
em traços livres os instantes da nossa existência
alexandra, 2007
domingo, 12 de agosto de 2007
despedida (opportune tempore... in fine)
hoje despedi-me de ti
ainda que o não saibas
quis olhar-te nos olhos
uma última vez
aconteceste-me um dia
e milhares deles contigo dividi
e vi o baço fulgor nos teus olhos
inexoravelmente rutilantes
a culpa pérfida e muda
volitando em teu redor
no teu rosto vislumbrei
esboços imprecisos das criminações
com que me mimoseaste
certezas convictas
bebidas em cálices envenenados
taças negras
erigidas no fundo do mar da vida
todo o teu corpo inquieto
denunciava a renúncia
exalava horrores quiméricos
gritava conluio cônscio
letal veneno voluntariamente ingeriste
milhares de instantes partilhados
bordados de sorrisos uns
outros de lágrimas deslustrados
roseirais de ilimitadas cores
e de espinhos mil aguçados
errámos o caminho
outros - brilhantes - nos aguardam
assim saibamos merecê-los
sem mágoas nem melindres
hoje despedi-me de ti
e há um templo de memórias
que comigo habita
hoje
amanhã
sempre
ainda que o não saibas
quis olhar-te nos olhos
uma última vez
aconteceste-me um dia
e milhares deles contigo dividi
e vi o baço fulgor nos teus olhos
inexoravelmente rutilantes
a culpa pérfida e muda
volitando em teu redor
no teu rosto vislumbrei
esboços imprecisos das criminações
com que me mimoseaste
certezas convictas
bebidas em cálices envenenados
taças negras
erigidas no fundo do mar da vida
todo o teu corpo inquieto
denunciava a renúncia
exalava horrores quiméricos
gritava conluio cônscio
letal veneno voluntariamente ingeriste
milhares de instantes partilhados
bordados de sorrisos uns
outros de lágrimas deslustrados
roseirais de ilimitadas cores
e de espinhos mil aguçados
errámos o caminho
outros - brilhantes - nos aguardam
assim saibamos merecê-los
sem mágoas nem melindres
hoje despedi-me de ti
e há um templo de memórias
que comigo habita
hoje
amanhã
sempre
alexandra, 2003
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
tempo (opportune tempore... in fine)
com o tempo
chegou o fim previsível
almejado
ficaram lágrimas e alegrias
arrependimentos talvez
e tudo o que restou
cabe agora na palma da mão
esvai-se entre os dedos
como minúsculos grãos de areia
que o vento abraça
e nos rouba
tudo o que restou
um espaço descerrado
no coração da vida
chegou o fim previsível
almejado
ficaram lágrimas e alegrias
arrependimentos talvez
e tudo o que restou
cabe agora na palma da mão
esvai-se entre os dedos
como minúsculos grãos de areia
que o vento abraça
e nos rouba
tudo o que restou
um espaço descerrado
no coração da vida
alexandra, 03-01-2003
distância
a tua presença longínqua
não me basta
as minhas entranhas
aguardam-te ainda
os meus lábios absorvem
o pesar da tua ausência
e o meu corpo todo
ainda prenhe de ti
clama o teu nome
não me basta
as minhas entranhas
aguardam-te ainda
os meus lábios absorvem
o pesar da tua ausência
e o meu corpo todo
ainda prenhe de ti
clama o teu nome
alexandra, 2002
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
despedida
lá fora
a flora dolente
ondeia os longos braços
embalada pelo meltemi morno
ciciante
aqui
o assombro sucede à desleal frieza
da acre despedida
apodera-se de nós
- outrora crentes num Fado
que se dissipa pertinaz
a dor transborda desgovernada
dos olhares inconsoláveis
e os deuses
impotentes
fazem da natureza
a expressão da sua fúria
alexandra, 2003
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
desejo
qual árvore vestida de outono
uma
a uma as folhas abandonam-me
deixam-me
nua
e
o solo onde lentamente me acabo
é
o mesmo que após longo e gélido Inverno
nutrirá
minhas raízes
fortificará
a doce seiva
que
me há-de enverdecer de novo
e
acordará em mim
o
desejo de recomeçar o sonho de viver
alexandra,
2001
visão
vi
no espelho da alma
lágrimas tornadas rios
oásis tornados desertos
oceanos de pedra
vida retrato de morte
no espelho da alma
lágrimas tornadas rios
oásis tornados desertos
oceanos de pedra
vida retrato de morte
alexandra, 2001
subitamente
de súbito
oceanos desabaram sobre mim
e qual arca de noé
levantada do chão por uivos ciclónicos
navego entre o céu e a terra
prenhe de medos e esperanças
parida que foi a dor da desilusão
oceanos desabaram sobre mim
e qual arca de noé
levantada do chão por uivos ciclónicos
navego entre o céu e a terra
prenhe de medos e esperanças
parida que foi a dor da desilusão
alexandra, 2002
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
grito silenciado
mergulhada que é a alma
nas
catacumbas da vida
cada
instante liberta
o
grito que em vão se detém
o
frio marmóreo
de
cada gesto olvidado
emerge
da flor púrpura
que
pulsa dentro do peito
e
rosários de cristal
lançam-se
incontroláveis
pelos
trilhos sulcados
pela
dor letal
que
desfigura o rosto
e
envenena o ser
alexandra, 2004
vida
na desleal arena da vida
a existência acontece
matreira
répteis desmedidos
espreitam uma irreflexão
pérfidas serpentes
entrelaçam-me prazenteiras
e o riso das hienas
pressagia o odor putrefacto
do meu fim
a existência acontece
matreira
répteis desmedidos
espreitam uma irreflexão
pérfidas serpentes
entrelaçam-me prazenteiras
e o riso das hienas
pressagia o odor putrefacto
do meu fim
alexandra, 2003
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
lágrimas
as lágrimas
que hoje derramo pelo chão
são as raízes que
amanhã
me ajudarão
a manter de pé
que hoje derramo pelo chão
são as raízes que
amanhã
me ajudarão
a manter de pé
alexandra, 2002
im memoriam
o
ser que foste
apagou-se silenciosamente
o pavio da vida
repentinamente se extinguiu
de ti nem nome nem datas
resplandece o olvido
o desprendimento pungente
aberrante
nesse cantinho esquecido
que partilhas agora
com os que em sossego
alcançaram também o infinito
para eles flores
da cor dos abraços
em tons de saudade
para ti o vazio
nesse plaino de dor
um número tão somente
nada mais
numa morna tarde de inverno
procurei-te
e com uma singela rosa branca
respeitosa e sentida
anonimamente nomeei-te
alexandra, 2004
segunda-feira, 30 de julho de 2007
em ti
em
ti me perco
em ti me encontro
nos teus braços me aninho
e é todo um oceano
que me inunda
nesse abraço infinito
nas tuas mãos
danças de afectos mil
perfumadas de afagos
extasiam-me a existência
os teus lábios
trazem o sabor de frutos maduros
e saborear-te
é sentir o verão a pulsar dentro do peito
nos teus olhos
transparentes de mel
leio e releio o amor que me ofertas
em cada gesto
em cada amplexo consentido
em ti me perco
em ti me encontro
e no turbilhão dos sentidos
bordados a pedrarias de que os sonhos são feitos
reaprendo o amor
mesmo no silêncio das palavras não ditas
alexandra, 2005
domingo, 29 de julho de 2007
grito
um grito que ninguém
ouve
explode no meu coração
- grito de lágrimas e dor
grito de mágoas e sangue
explode no meu coração
- grito de lágrimas e dor
grito de mágoas e sangue
alexandra, 2002
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