no feno dócil da palavra
adivinho a matéria do sonho
abraço o trovão canoro
pleno de silêncios castos
e de ecos por desvendar
e visto a palavra límpida
com branduras e tormentos
deliro em telas de paraíso
moldando fulgores e prantos
que saem do meu durar
com a palavra pura
alinhavo mil devaneios
reinvento o tempo
a cores de estio corado
e a primaveras por achar
e na palavra alcanço o dulçor
inquieto do riacho manso
e fruo o oceano prásino
de esteiros incontáveis
à espera para me enlaçar
no pélago da palavra
desvendo o meu refúgio
diáfano e verdadeiro
da palavra brota a linfa que sacia
o sangue que me traz viva
alexandra, janeiro 2008