sábado, 4 de dezembro de 2010




e quando veio o rio
em jorros súbitos
de castigos repentinos
quedámos atados
ao limbo crespo da margem
nossas almas feridas
doridas de assombro
ante um amor mutilado
que se deslaçou
sem o brado forçoso
que não se soltou

e nessa hora aziaga
que não decifrámos
ceifámos o destino
e imperfeitos vagamos
no rio correntio
qual escolho que a vida apartou
ramo vencido que o rio afastou
mas não matou



alexandra, dez.2010





4 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Querida amiga Alexandra, gostei imenso do teu poema.
Excelente, como sempre.
Beijos.

MCampos disse...

Lindíssimo, Alexandra. É sempre um prazer voltar aqui.

Um beijinho e boa semana.

Maria João disse...

Haverá um dia em que o rio voltará sereno (porque sempre volta), e nesse dia, será a transparência das águas que revelará o limbo do fundo e todos os segredos que se quedam nele, abraçados.

Que bom vir aqui de novo, respirar poesia!

Beijinhos Alexandra

Virgínia do Carmo disse...

Alexandra, gostei muito da sua escrita.

Excelente, esta construção poética.

Um abraço