sábado, 20 de agosto de 2011



no fundo de mim
agrilhoei meu ser interrompido
e resiste de ímpetos sufocados
a alma que abandonei
no cais desse porto ajeitado
que alberga meus sonhos

arrasto-me na mágoa retraída
sou uma réstia de mim
sufocada em gozos acres
que velam prantos do que fui
voo na borboleta que cruza
meu lamaçal de lamentos
e na quimera cogitada
diluí minha razão de viver

busco no precipício de mim
o rumor do meu ser proscrito
e qual bramido de tantas marés
sou sargaço cuspido na areia
definho sem ninguém ver
choro por me dessaber



alexandra, abril 2011




8 comentários:

Maria João disse...

Alexandra

Quase oiço o mar, sufocado nos teus lamentos, quase toco as vagas que nasceram dos teus sopros adiados e aguardam que te ergas como uma vela pronta para uma nova viagem.
No cais, não se choram apenas as partidas, há um dia em que festejaremos o regresso, mesmo quando o porto de abrigo esteja , exactamente, dentro de nós!

Um abraço enorme com muito carinho!!

MOISÉS POETA disse...

Que bonito , a poesia salva-nos ...!

Um beijo !

Alexandra disse...

Obrigada pelas palavras sempre tão gentis... pena é que o meu tempo se escoe por entre os dedos...


Um beijo.

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Profundo, tocante!
Também "busco no precipício de mim"...!

Maria João disse...

Vim reler-te.

Saudades....

Um beijinho, Alexandra

A partir de uma palavra disse...

Quanto tempo não comento por aqui... lindo texto. Palavras perfeitas para nos colocar diante de um cais de saudade e esperança. Linda escrita Alexandra.

Nilson Barcelli disse...

Alexandra, minha querida amiga, desejo-te um Feliz Natal e um ano de 2012 cheio de coisas boas para ti e para a tua família.
Beijos.

Maria João disse...

Alexandra

Saudades...

Espero sinceramente que estejas qu bem. Venho desejar-te um Bom Natal e um 2012 com muita saúde e serenidade.

Um beijinho meu